19 de março de 2009

Hoje queria contar uma história mas só consigo lembrar-me de pequenas ficções baseadas nas histórias falsas de homens e mulheres que não existem.
A história poderia começar com um simples "era uma vez..." mas vou começar por dizer que tudo o que eu conto aqui hoje é puro, verdadeiro e faz sentido.
Presunçosa! - poderiam agora chamar-me.
Prefiro intitular-me como criadora insana de histórias verdadeiramente falseadas.

Esta história começa num bar e existem duas personagens que tentam manter uma conversa mesmo com o barulho ensurdecedor da música rock de fundo e das ambulâncias que passam na rua.
Temos um homem na casa dos 30, talvez alto - não se percebe bem, a luz é nocturna e os contornos dos seus corpos são pouco nítidos. E temos uma mulher jovem na casa dos 20.
Estão sentados e a conversa parece agradável apesar do bate pé inquietante da jovem mulher.
Ele fala e gesticula enquanto pega no copo de vinho deixado pelo barman.
Ela ri-se, mexe no cabelo e penteia-o para trás e seguidamente encosta-se um pouco à cadeira.


Histórias iniciadas com estes enredos estamos todos habituados a ver, ouvir e ler por isso o final deste excerto das minhas ficções verdadeiramente clichés fica ao critério do leitor.
A história que hoje tinha para contar poder-se-á resumir a este corpo que me prende que me lembra sempre a minha mortalidade. (This body holding me reminds me of my own mortality. Tool - Parabola)

1 lógica(s):

João G. disse...

O meu comentário a este post, decerto o primeiro, poderia terminar de tantas maneiras, visto eu propor-me a dar então um final para esta pequena introdução de conto:

"Ele fala e gesticula enquanto pega no copo de vinho deixado pelo barman.
Ela ri-se, mexe no cabelo e penteia-o para trás e seguidamente encosta-se um pouco à cadeira."

Falam porventura daquelas superficialidades que escorrem das línguas dos narcisistas em noite de troca de palavras vãs num encontro fútil, ou então são amigos de longa data, apesar de os gestos rígidos e cronometrados transpareçam para mais do plano do “querer dar boa imagem” embora se sinta aquele desconforto trémulo no peito da partilha com alguém que se deseja no momento.

A solidão esquece-se na noite, o vinho no copo cheira a sexo, o cabelo dela comprido brilha no lustre loiro e amaciado, o blazer do homem condiz com as calças de flanela alinhadas na postura rígida do corpo e o vestido canta aos olhos confiantes do macho para que o contemplem.

É maravilhoso poder observar este flirt de longe, analisar os movimentos de cada um tão certos nas suas decisões de localização, mapeiam o terreno do palpável com tanta destreza. A falsidade é nítida naquela sombra de Vénus.

Ou então sou eu que sou demasiado destrutivo e o amor verdadeiro que não existe até poderá rondar aqueles cantos do bar.

......

Agora deixo para tu continuares o que eu escrevi e comentares a seguir ao meu comentário este continuação.

Beijinho*